DESCUBRA A REPÚBLICA TCHECA MAIS DINÂMICA E ARTÍSTICA

Galerias estimulantes, bairros vibrantes e a ressurreição da animação tcheca em um destino de arte e design que talvez você não imaginava. Durante sua visita à República Tcheca, descubra um país diferente, além da pedra e da água.

Por: Colaborador Convidado

Publicado: Agosto 09, 2021

Em revistas e catálogos, reportagens e histórias entre amigos, sempre nos chega uma República Tcheca específica. O país da água e da pedra e aquele dos palácios renascentistas e spas aristocráticos. E mesmo, das vielas medievais que, ao virar da esquina, mostram as luzes das vanguardas artísticas dos séculos e, pouco mais à frente, os caminhos que cruzam bosques encantados. Mas, se você olhar com atenção, na base de tudo está uma República Tcheca inquieta e audaciosa, que foi sempre assim - um país bem posicionado na vanguarda que vibrou em todos os séculos. É a República Tcheca da Grande Morávia da Idade Média tardia; das fortalezas insuperáveis; que inventou o alfabeto eslavo para se expandir, além do reinado que fundou a Universidade Carolina de Praga, a mais antiga da Europa Central, coração e motor do Sacro Império Romano-Germânico.

A República Tcheca é também país impregnado do Renascimento - quando a razão e o homem foram adotados como medida para todas as coisas. Ergueu os mais belos edifícios góticos da Europa, ao tempo que alimentava a curiosidade pela cultura espanhola e por tudo o que vinha da América. Mais adiante, o país fez da delicadeza e da beleza serena a matéria-prima das cidades balneárias que hoje parecem saídas de um sonho e contribuiu para moldar a Europa, ao reunir as elites que vinham por nova ferrovia para chegar aos camarotes e às óperas mais vanguardistas dos séculos 18 e 19. É o país que, pouco depois, marcaria seu caráter nas vanguardas criativas que exploraram pela primeira vez como mudar o mundo por meio das artes, que nunca mais seriam tão somente decorativas. É, em suma, o país geneticamente livre que se livrou dos nazistas e lançou a revolução cívica mais romântica do século 20 contra o comunismo - a Primavera de Praga.

Qual o legado desse enérgico país? Se aplicarmos a lei de conservação de energia à República Tcheca, a conclusão é que nada disso evaporou no ar, apenas se transformou em novo dinamismo que, claro, se conecta com as inquietudes do século 21. Para o visitante desavisado, pode não ser fácil rastrear as peculiaridades do país, mas sugerimos que sigam a pista em manifestações culturais, por exemplo, na exuberância das galerias de arte de Praga e do bairro Holešovice e da nova vida das artes decorativas, do cristal e da lendária animação audiovisual tcheca.

Galerias de Praga

Em Praga, a contagem de galerias e museus, públicos e privados, é feita em dezenas. Com oferta tão ampla, o lógico é que há de tudo mas, se quiser dar uma olhada no que acontece hoje na arte tcheca, você poderá  começar por galerias voltadas para artistas locais (modernos e contemporâneos), como a Nová Galerie, que expõe artistas contemporâneos como Adam Štech, Jakub Špaňhel, Jiří David e Cermak-Eisenkraft. Essa galeria, no coração da Cidade Antiga, exibe obras datadas desde o pós  Segunda Guerra Mundial ao momento contemporâneo. Em Praga há também galerias históricas, como a de Václav Špála, datada de 1957 e protagonista da evolução da arte tcheca nos anos 60 e 70; e a sala de exposições localizada no Palácio Veletržní, a qual faz parte da Galeria Nacional de Praga. Nessa sala, você poderá conhecer as contribuições tchecas para as vanguardas das artes, lideradas pelo movimento The Eight (Osma) - coletivo de oito artistas locais. Mais ainda. Poderá conhecer a escola funcionalista Devětsil,  de Karel Teige, que levou a Praga lendas como Man Ray, Le Corbusier, Mayakovsky, Paul Klee, Walter Gropius e André Breton. Quem deseja saber mais sobre funcionalismo dever anotar que o Edifício Mánes pertence a esta tendência, além de ser ligado a histórica torre de água, de 1930, com espaço de exposições dedicado à vanguarda.

Na capital tcheca há também galerias que, além do conteúdo, se destacam pela beleza do lugar de exposições. O Museu Kampa exibe peculiar coleção contemporânea em um moinho do século 15  - Moinho Sova, beneficiado por interessante restauração. Uhelný Mlýn (Moinho de Carvão) é também edifício industrial único, do início do século 20. A Galeria de Química é outro peculiar edifício industrial restaurado, localizado em Praga 7, na antiga sede de empresa elétrica. Por sua vez, a Galeria Leica Praga é especializada em fotografia contemporânea tcheca e é  lugar também para obter bons livros ilustrados.

A lista é bem mais ampla e inclui a central e movimentada Sala Dvorak Sec Contemporary (DCS Gallery), sempre atenta à produção artística do século 21; a Galeria Rudolfinum, localizada no espaço cultural inaugurado em edifício neorrenascentista, com sala de concertos e grande café do século 19. O autor do amplo projeto é J. Schulz, arquiteto do Teatro Nacional de Praga. Ainda, há em Praga galerias independentes, tais como Jiří Švestka, a mais reconhecida internacionalmente, voltada para a arte da Europa Central; e Zdeněk Sklenář, que explora as artes plásticas tchecas a partir do século 19.

Design, mais do que artes decorativas

Com um pé firmemente enraizado na tradição das artes decorativas, durante séculos tão importantes no país, os designers tchecos de hoje expõem as suas obras principalmente em Praga. A Galeria FOX, na rua Karolíny Světlé, Cidade Antiga, propõe aliança entre a arte moderna e o design tcheco contemporâneo. Para tanto, são aplicadas várias habilidades artesanais, desde arranjos florais à construção de móveis. A Prague Art & Design, com galeria na rua Martinská, no centro histórico da Cidade Antiga, também amplia o olhar a partir das artes plásticas, para chegar a objetos de design e joias. Na Galeria Kvalitář, o design de interiores, de móveis e objetos de decoração também buscam alcançar categoria de arte.

A República Tcheca conta ainda com tradição histórica de trabalhos em cristal, hoje traduzida por diferentes artesãos, em todo o país. Em Praga, a Galeria Kuzebauch, localizada no bairro histórico de Břevnov, exibe peças de formas e materiais únicos, criadas por artistas emergentes e outros, já reconhecidos em sua arte. A sala Vaso Gordana abriga diversas peças em cristal, criadas pela renomada artesã e designer Gordana Turuk - ela transfere para suas obras conceitos como família, amizade e humildade. Na Galeria Glassimo, o cristal trabalhado por mestres vidreiros, como Bořek Šípek, Jiří Pačinek e Kateřina Smolíková divide espaço com as porcelanas do designer Daniel Piršč.

O bairro aonde tudo acontece

Holešovice, o bairro mais ativo, criativo e vital da República Tcheca  foi, no início do século 20, o coração mercantil e portuário de Praga. Hoje, seus edifícios fabris, armazéns e oficinas experimentam segunda vida na forma de estúdios de jovens artistas, designers ou arquitetos que convivem com lofts e sedes de empresas de tecnologia. Ao redor há verdadeiro ecossistema de cafés, galerias alternativas, lojas de grife e espaços para concertos.

Para sentir o pulsar do cotidiano desse bairro, nada melhor do que ir ao Mercado Holešovice, ecológico e muito tcheco com suas bancas que vendem frutas e vegetais frescos, mel, cogumelos e flores. As fábricas do antigo porto foram transformadas em espaços articulados, como o imenso Vnitroblock, onde o design se faz presente em suas singulares   lojas, cafés, salas de exposições e palcos para concertos. Há exemplos de artísticas 'marcianadas', como Paralelní Polis (Cidade Paralela), que se autodenomina 'Instituto de Criptoanarquia', título que poderia disputar com qualquer dos cafés mais extravagantes do mundo. Ainda, o Cross Club da rua Plynární, de alma industrial e decoração mutante, ora clássica, ora beirando o cyberpunk - café durante o dia e sala de concertos à noite. Marina em Praga, a área do grafite na rua Papírny e o centro de arte contemporânea Dox, com seu reluzente zepelim de metal no telhado são apenas algumas das surpresas que aguardam o visitante.

 

A nova vida da animação

A animação audiovisual tcheca, nascida ainda na década de 1920, celebra agora o seu centenário com um renascimento que já é muito mais do que boato. A personalidade de suas obras é facilmente reconhecível pela força de sua fantasia e por suas técnicas ingênuas e charmosas - colagem, fantoches, argila. Para conhecer a idade de ouro da animação tcheca, ocorrida entre os anos 50 e 80 do século 20, é necessário ir ao NaFilM de Praga, o Museu Nacional do Cinema. Ali, exposições interativas permitem às famílias reconstruírem toda a história dessa arte, assistir a projeções e vivenciar experiências como a elaboração de máquinas de cinema, efeitos especiais e criação de hologramas.

NaFilM sempre dá algumas pistas sobre o que está por vir,  mas saber em primeira mão é reservados àqueles que assistem ao Festival de Filmes de Animação Anifilm (n.t: o festival é anual e ocorre em diferentes cidades tchecas; ao final, endereço para outras informações). Na sua segunda década de existência, o festival tornou-se estimulante encontro cultural,  no qual são apresentadas as tendências, métodos, tecnologias e técnicas da animação contemporânea. Para saber sobre o que há de mais recente, é preciso visitar salas de exibição dos lugares aonde está se formando a nova geração de animadores, que já dá o que falar - a Escola de Cinema e Televisão da Academia de Artes Cênicas de Praga, a Academia de Artes, Arquitetura e Design de Praga e a Universidade da Boêmia ocidental.

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