Música tcheca, a cultura que entra pelos ouvidos

A música é uma das formas mais simples e divertidas de se aproximar da cultura da República Tcheca. Além disso, tem importante vantagem adicional: não é necessário saber o idioma para desfrutá-la. Melodias clássicas, folk, pop... escolha o seu gênero favorito e aumente o volume enquanto lê essas curiosidades musicais tchecas.

Por: Pepa Garcia

Publicado: Outubro 28, 2021

O objetivo deste post não é fazer uma extensa retrospectiva ou tocar nas raízes musicais distantes da República Tcheca, mas revisitar melodias e canções que familiarizem você com o país. Conhece algum compositor de música clássica tcheca? Nesse caso, é provavelmente Bedřich Smetana, Antonín Dvořák ou Leoš Janáček. Estes são os três autores clássicos tchecos mais famosos em âmbito internacional.

Se esse não é o seu gênero favorito, talvez conheça o som de Karel Gott (1939-2019), verdadeiro galã dos anos 70 e 80 – ele até participou na Eurovisão em 1968; ou Mikoláš Josef, que em 2018 representou a República Tcheca nesse festival da canção, com a cativante música Lie to me. No cenário atual, há autores e bandas que soam muito bem, tais como KryštofEwa FarnaLucieSebastien y Lucie Bílá.

Mas, se você quiser saber tudo sobre a atual cozinha musical tcheca, o mais aconselhável (e eficaz) é ir às suas discotecas, clubes de jazz e, claro, a um dos seus muitos festivais. Entre eles, Rock for PeopleColors of Ostrava, Beats for love, Masters of RockTransmission, United Islands Festival (acontece nas Ilhas de Praga) e as competições realizadas nos pátios dos castelos.

O que você acha em fazer um passeio pelas melodias clássicas e continuar com canções tchecas de diferentes naturezas? Vamos ver quantas você reconhece!

1. Autores clássicos checos

Como já mencionamos, há três autores do século 19 que fazem parte da história universal da música e que vale conhecer. Bedřich Smetana (1824-1884) nasceu na Boêmia e não veio de linhagem de músicos - era filho de um mestre cervejeiro. No entanto, ele logo demonstrou habilidades para a música. Com apenas seis anos interpretou seu primeiro concerto para piano e aos oito, já escrevia peças. Considerado o pai da escola musical nacionalista tcheca, Smetana foi pródigo em composições patrióticas. Ouça o ciclo Meu País - seis poemas sinfônicos que compõem a maior obra-prima orquestral de Bedřich Smetana.

Antonin Dvořák (1841-1904) coincide em suas origens humildes com Smetana. Filho de um açougueiro e estalajadeiro, o mais velho de quinze irmãos, Dvořák nasceu em Nelahozeves, pequena cidade perto de Praga, aonde ele estudou e fez parte de várias orquestras. Foi diretor do Conservatório Nacional de Música de Nova York, depois nomeado diretor do Conservatório de Praga. Seu primeiro sucesso como compositor veio com a cantata Hymnus e, assim como Smetana, compôs hino dedicado ao seu país, nove sinfonias, obras para piano, óperas, poemas sinfônicos... Provavelmente, o que mais soa para você é a 9ª sinfonia do Novo Mundo.

Por fim, Leoš Janáček (1854-1828), que no campo musical se deslocava entre o nacionalismo do século e o romantismo. Como dado histórico, pode-se acrescentar que seu talento foi descoberto aos onze anos, pelo diretor do coro agostiniano em que cantava, no convento de Brno. Uma das primeiras obras de Janáček reconhecida foi a ópera popular Jenufa.

2. Abelhinha Maya e Karel Svoboda

Vamos continuar testando sua cultura ou suas memórias musicais. É de autoria do tcheco Karel Svoboda a composição da melodia que embala a série de desenhos animados intitulada Abelhinha Maya (a criação original data de 1912). Ainda hoje sucesso na Netflix, já em 1975 a abelhinha e a música que a embala chamava atenção de milhões de crianças, em praticamente o mundo inteiro. Svoboda deve ser incluído na lista dos autores tchecos pródigos - compôs mais de 900 peças para o canal alemão ZDF. Além de compor melodias, criou peças para musicais e filmes – neste caso, seu maior sucesso foi a criação musical para Drácula, versão cinematográfica da obra de Abraham (Bram) Stoker, enorme sucesso mundial.

3. Barrilzinho de cerveja, a polca da vitória

A mais conhecida polca tcheca teve, de acordo com o general Eisenhower, papel importante no momento de animar os soldados aliados combatentes na Segunda Guerra Mundial.  Intitulada Škoda lásky (Que pena, amor) é polca vibrante e cativante, composta por Jaromír Vejvoda. Em outros países era chamada Barrilzinho de Cerveja, Beer Barrel Polka ou Roll out the Barrel.

A fama de Jaromír Vejvoda transcendeu fronteiras. Inclusive, a orquestra de Glenn Miller a incorporou ao repertório e foi interpretada pelo clarinetista Benny Goodman. São mais de trinta versões em diferentes idiomas e houve quem quisesse vinculá-la ao seu país, como o ex-ministro alemão Hans Dietrich Genscher – ele chegou a apostar que "Rosamunde" (a tradução de Barrilzinho para o alemão) era composição germânica.

Mais curiosidades? Škoda lásky até soou perto das estrelas, pois em 1995 esta melodia acordou os astronautas a bordo do ônibus espacial Discovery. A alegre polca (a música é alegre, mas a letra, não) fez parte do universo cinematográfico ao ser incluída nas trilhas sonoras de filmes tão conhecidos como Coração Cativo, Uma Noite em Casablanca, O Dia Mais Longo e a série Mash. Por fim, quanto você acha que Jaromír Vejvoda recebeu pela peça de sua autoria? Algo menos do que seis euros.

4. Markéta Irglová, a cantora do Oscar

Vários músicos tchecos mostraram predileção pelo mundo do cinema, trazendo sua criatividade para filmes, alguns deles famosos. Uma das músicas tchecas que sonorizaram filmes com certeza você conhece – Falling Slowly, ganhadora do Oscar de Melhor Canção Original (filme Once, de 2007). A trilha foi composta pela cantora e pianista tcheca Markéta Irglová e o músico irlandês Glen Hansard, então marido dela. Não deixe de ouvi-la (use o link acima). Além disso, com essa composição a dupla conquistou em 2008 o Grammy para Melhor Álbum de Trilha sonora. 

5. Dancing Barefoot, de Ivan Král

Estou dançando descalço, indo dar uma volta, uma música estranha me atrai, me faz gozar como uma heroína. Você reconhece a letra dessa música dos anos 70, tocada por bandas como U2, Simple Minds e Pearl Jam? O coautor dessa música é o tcheco Ivan Král, guitarrista e baixista de Pati Smith, que também trabalhou com Blondie, Iggy Pop e David Bowie.

Sempre inquieto, Ivan Král dirigiu o documentário The blank generation (1976), que tratou do mundo punk em Nova York e no qual aparecem grupos como The Ramones, Talking Heads, Television, Patti Smith e Blondie. Além de participar no cenário musical internacional, na década de 1990 Král retornou com frequência a Praga para produzir obras criadas por grupos tchecos e eslovacos.

Karel Gott assinando autógrafos em 1969. © Wikimedia

 

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