A Igreja “sem porta” de Nossa Senhora de Týn, em Praga.

Muita gente dá voltas em torno do edifício, e não acha a entrada. Descubra a interessante história deste emblemático edifício da Praça da Cidade Velha, em Praga.

Por: Colaborador Convidado

Publicado: Setembro 10, 2020

A Praça da Cidade Velha é um dos pontos emblemáticos de Praga, talvez por reunir em um só espaço uma montanha de edificações preciosas. É ali que está a Prefeitura da Cidade Velha, com a Torre e o Relógio Astronômico; ali também está Igreja barroca de São Nicolau; a estátua de Jan Hus; o palácio Golz-Kinsky; a Casa da Mesa de Pedra; do Unicórnio Dourado; da Estrela Azul... e eu não citei tudo.

Porém é impossível deixar de notar as pontudas torres da Igreja de Nossa Senhora de Týn, que começou a ser construída em 1365 e logo foi engolida pelo movimento reformista da Boêmia, iniciado por Jan Hus - o cara da estátua na mesma praça.

Oficialmente, a igreja é de Nossa Senhora detrás de Týn. Essa palavrinha tcheca – týn – significa alfândega, aduana, lugar onde se cobram tributos. E era isso mesmo – um largo protegido, onde os comerciantes que queriam vender na praça da cidade velha tinham que passar e pagar os tributos. A igreja está bem atrás desse largo, que ainda existe (e aliás é uma gracinha).

Em estilo gótico, a igreja foi por muito tempo o principal templo hussita da cidade (hussita = protestantismo criado por Hus) e foi o local onde o rei Jiri de Podebrady tomou sua comunhão utraquista. Se você não sabe o que é utraquismo, não se preocupe porque quaseninguém sabe. Talvez algum ex-seminarista. Utraquismo é o termo que se refere à comunhão na qual os fiéis tomam o vinho fiéis, e não apenas pelos sacerdotes. Ou seja, foi ali que Jiri tomou seu gole santo e, em reconhecimento, mandou colocar um cálice de ouro na fachada da igreja. Hoje você não vai ver este cálice, porque ele foi derretido para ajudar a fazer a imagem da Virgem que o substituiu. Esta sim, permanece lá.

O interior da igreja é todo em pedra e com iluminação reduzida, soturno como costuma ser a arquitetura gótica. Porém, há vários objetos como uma escultura do Calvário, que remonta a 1414 (mais de 80 anos ANTES do descobrimento do Brasil) e o púlpito gótico, que bate “só” no século XV.

Mas para ver tudo isso você tem que entrar na igreja. Vá lá, é grátis. Você só precisa achar a port. E, surpreendentemente, isso pode ser um desafio.

O que aconteceu é que a igreja surgiu pequena e, com o tempo e com o aumento de importância, foi sendo ampliada. Ampliaram tanto que chegaram até o limite dos vizinhos. Por isso, você vê a igreja, vê suas torres, mas não vê, de fato, a porta. Então, fica a dica, para não ficar rodando em torno do prédio: olhando a igreja de frente, você verá dois edifícios mais baixos, logo a frente dela. Um mais largo, à direita, e outro à esquerda, com quatro arcos. É nesse que você deve entrar. Atravessando o edifício, você sai direto na porta da igreja.

Sim, a porta existe. Só não dá para ver.

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